segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Feira de Gestão aponta soluções para a habitação

Há menos de um século, as cidades brasileiras abrigavam 10% da população nacional. Hoje, são 82% - o que representa um inchaço, num processo de exclusão e desigualdade. O resultado é que 6,6 milhões de famílias não possuem moradia. Por outro lado, a construção civil é responsável por até 50% do total de resíduos sólidos gerados no País. Só Curitiba gera três mil caçambas de entulhos por dia – o equivalente a 15 mil toneladas de restos de cimento, cerâmica, madeira, gesso, tijolos, entre outros descartes. Apesar de cerca de 90% de todo esse entulho poder ser reciclado, o Brasil reaproveita apenas 5% - ao contrário de países da Europa, como a Holanda, que recicla 95%.
Para debater estes problemas e apontar soluções viáveis com exemplos reais, a Feira de Gestão da FAE promoveu o painel Habitação, com os artistas, ambientalistas e arquitetos Marcia Macul e Sergio Prado, fundadores da ONG Verdever, o diretor de incorporação do Grupo Thá, Nilton Neilor Antonietto e o engenheiro civil da Caixa Econômica Federal, Walmir Aparecido Souza Grassi.
Empreendimentos Sustentáveis
Para o diretor da Thá, sustentabilidade na construção civil engloba os conceitos de ideias inovadoras, responsabilidade sócio-ambiental, utilização de fontes de energia renováveis e acessibilidade. Ele citou como exemplo um futuro lançamento pela incorporadora, que absorve todos estes conceitos: o Seventh Avenue, complexo residencial e comercial, que será erguido na Avenida Sete de Setembro, na região do Rebouças, num terreno ao lado do viaduto linha férrea (tombado pelo Patrimônio Cultural do Paraná, localizado sobre a Rua João Negrão).
De acordo com Antonietto, o empreendimento é um produto alavancador da região, que promete criar um novo pólo no mercado imobiliário de Curitiba. A construtora assumiu o compromisso de revitalizar o viaduto que, segundo o diretor da Thá, representa um marco de desenvolvimento do Paraná, fato inspirador para a conceituação do empreendimento. “Será projetado um paisagismo para integrar áreas de praças entre o empreendimento e o campus da UFPR (situado do outro lado do viaduto), com a possibilidade de tornar-se uma passarela. Dessa forma, o projeto traz uma significativa melhoria com relação à acessibilidade, mobilidade e segurança dos pedestres da região”, adianta.
A utilização do conceito de sustentabilidade no empreendimento não para por aí: Antonietto cita a questão das facilidades proporcionadas aos ocupantes, que podem morar e trabalhar no mesmo local, além de estar numa região de fácil acesso para a utilização do transporte coletivo da cidade. Soma-se a isso, a utilização de energia sustentável, de fontes inesgotáveis e não poluentes, a gestão dos resíduos da obra e a utilização otimizada e saudável aos ambientes internos, como o máximo aproveitamento da iluminação natural, por exemplo.
Mas o Seventh Avenue não é a única ação isolada de sustentabilidade da construtora. A Thá é uma das empresas pioneiras a qualificar seu corpo técnico para executar obras que almejam a conquista dos selos verdes, comprometendo-se com processos menos poluentes, descarte correto de resíduos e uso de matérias-primas ecologicamente corretas.
No Brasil, atualmente existem apenas oito edificações certificadas, em consonância com os critérios estabelecidos pelo Green Building, instituição norte-americana que fornece o selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), que mede e pontua requisitos de sustentabilidade em todas as áreas chave envolvidas em uma construção, como: eficiência no uso de águas, eficiência no consumo de energia, materiais e recursos aplicados e qualidade do ambiente interno de trabalho. Para Antonietto, “realizar obras com este perfil exige know-how e a Thá vem desenvolvendo sua expertise ao longo de seus 116 anos de atuação, sendo uma das poucas empresas brasileiras com condições de atuar dentro desta conformidade ambiental, pontuada por rígidos parâmetros”.
Além do LEED, outra importante certificação verde é o Selo AQUA, concedido pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini. A Thá foi responsável pela construção da loja da Leroy Merlin, em Niterói, o único empreendimento no Brasil a receber a certificação AQUA completa. Para obter o Processo AQUA, é preciso que o empreendedor atenda a 14 critérios de desempenho em três fases distintas do empreendimento: idealização do projeto, elaboração e realização. As soluções para a contemplação dos 14 quesitos não são fixas, e vão desde a escolha de matéria-prima até a implantação de um sistema de reaproveitamento de energia solar, por exemplo.
Financiamento de Projetos Sustentáveis
A sustentabilidade faz parte do plano de negócio da Caixa Econômica Federal – a missão, visão e valores da empresa são pautadas em valores sustentáveis. O engenheiro da gerência de Desenvolvimento Urbano da Caixa, Walmick Grassi, apresentou, na Feira de Gestão, as ações da organização ligadas à habitação sustentável que, segundo ele, envolvem a redução do desmatamento, eficiência energética, fomento, energias renováveis e durabilidade do projeto.
Um exemplo é a aplicação de R$ 4 milhões no Fundo Socioambiental (FSA) Caixa para financiar projetos de gestão de resíduos sólidos de construção e demolição, realizados por consórcios públicos e prefeituras municipais. O objetivo da iniciativa é contribuir com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
Outra ação da empresa foi a criação do Selo Casa Azul Caixa, visando incentivar o uso racional de recursos naturais na construção e promover a conscientização de empreendedores e moradores sobre as vantagens das construções sustentáveis. O selo possui seis categorias: Qualidade Urbana, Projeto e Conforto, Eficiência Energética, Conservação de Recursos Materiais, Gestão da Água e Práticas Sociais. As categorias são subdivididas em 53 critérios de avaliação. O selo se aplica a todos os tipos de projetos de empreendimentos habitacionais, apresentados à Caixa para financiamento, ou nos programas de repasse.
A iniciativa soma-se a outras importantes medidas da Caixa, indutoras da produção habitacional com sustentabilidade ambiental, tais como: o uso de madeira com origem legal na construção; o incentivo financeiro para sistemas de aquecimento solar de água nas habitações incluídas no Programa Minha Casa, Minha Vida, destinadas às famílias de mais baixa renda, e a necessária medição individualizada de água e gás nos prédios.
Lixo Zero, Arquitetura Sustentável, Energia Renovável
Para encerrar o painel de habitação, os fundadores da ONG Verdever apresentaram o projeto Curadores da Terra – uma proposta de construção sustentável com o reaproveitamento total de todos os resíduos plásticos, orgânicos e minerais. O projeto foi vencedor do concurso internacional Ashoka / Fundação Rockfeller – Sustainable Urban Housing, em abril deste ano.
Trata-se de um inédito sistema construtivo, patenteado pela Curadores da Terra - ONG Verdever, com custo mais barato do que qualquer outro conhecido e praticado pelo mercado.
Marcia Macul e Sergio Prado apresentaram no evento os materiais utilizados nas construções propostas e destacaram o uso da terra crua apiloada em fôrmas estanques (taipa de pilão), fabricação local de tijolos de terra crua (secados à sombra) e o reaproveitamento das embalagens pet e de todos os tipos de resíduos pós-consumo em novos elementos construtivos.
Segundo Prado, 44% da população mundial não tem acesso à moradia e, em vez de diminuir, este número está aumentando a cada dia. Para ele, a maior crise europeia é habitacional. “E o Brasil não foge desta crise, pois é o maior exportador de favelas”, completa. O arquiteto e ambientalista afirma que toda a população mundial poderia ter moradia dentro de um ano, se 30% do lixo gerado fosse reaproveitado na habitação.

Feira de Gestão aponta soluções para a habitação

Há menos de um século, as cidades brasileiras abrigavam 10% da população nacional. Hoje, são 82% - o que representa um inchaço, num processo de exclusão e desigualdade. O resultado é que 6,6 milhões de famílias não possuem moradia. Por outro lado, a construção civil é responsável por até 50% do total de resíduos sólidos gerados no País. Só Curitiba gera três mil caçambas de entulhos por dia – o equivalente a 15 mil toneladas de restos de cimento, cerâmica, madeira, gesso, tijolos, entre outros descartes. Apesar de cerca de 90% de todo esse entulho poder ser reciclado, o Brasil reaproveita apenas 5% - ao contrário de países da Europa, como a Holanda, que recicla 95%.
Para debater estes problemas e apontar soluções viáveis com exemplos reais, a Feira de Gestão da FAE promoveu o painel Habitação, com os artistas, ambientalistas e arquitetos Marcia Macul e Sergio Prado, fundadores da ONG Verdever, o diretor de incorporação do Grupo Thá, Nilton Neilor Antonietto e o engenheiro civil da Caixa Econômica Federal, Walmir Aparecido Souza Grassi.
Empreendimentos Sustentáveis
Para o diretor da Thá, sustentabilidade na construção civil engloba os conceitos de ideias inovadoras, responsabilidade sócio-ambiental, utilização de fontes de energia renováveis e acessibilidade. Ele citou como exemplo um futuro lançamento pela incorporadora, que absorve todos estes conceitos: o Seventh Avenue, complexo residencial e comercial, que será erguido na Avenida Sete de Setembro, na região do Rebouças, num terreno ao lado do viaduto linha férrea (tombado pelo Patrimônio Cultural do Paraná, localizado sobre a Rua João Negrão).
De acordo com Antonietto, o empreendimento é um produto alavancador da região, que promete criar um novo pólo no mercado imobiliário de Curitiba. A construtora assumiu o compromisso de revitalizar o viaduto que, segundo o diretor da Thá, representa um marco de desenvolvimento do Paraná, fato inspirador para a conceituação do empreendimento. “Será projetado um paisagismo para integrar áreas de praças entre o empreendimento e o campus da UFPR (situado do outro lado do viaduto), com a possibilidade de tornar-se uma passarela. Dessa forma, o projeto traz uma significativa melhoria com relação à acessibilidade, mobilidade e segurança dos pedestres da região”, adianta.
A utilização do conceito de sustentabilidade no empreendimento não para por aí: Antonietto cita a questão das facilidades proporcionadas aos ocupantes, que podem morar e trabalhar no mesmo local, além de estar numa região de fácil acesso para a utilização do transporte coletivo da cidade. Soma-se a isso, a utilização de energia sustentável, de fontes inesgotáveis e não poluentes, a gestão dos resíduos da obra e a utilização otimizada e saudável aos ambientes internos, como o máximo aproveitamento da iluminação natural, por exemplo.
Mas o Seventh Avenue não é a única ação isolada de sustentabilidade da construtora. A Thá é uma das empresas pioneiras a qualificar seu corpo técnico para executar obras que almejam a conquista dos selos verdes, comprometendo-se com processos menos poluentes, descarte correto de resíduos e uso de matérias-primas ecologicamente corretas.
No Brasil, atualmente existem apenas oito edificações certificadas, em consonância com os critérios estabelecidos pelo Green Building, instituição norte-americana que fornece o selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), que mede e pontua requisitos de sustentabilidade em todas as áreas chave envolvidas em uma construção, como: eficiência no uso de águas, eficiência no consumo de energia, materiais e recursos aplicados e qualidade do ambiente interno de trabalho. Para Antonietto, “realizar obras com este perfil exige know-how e a Thá vem desenvolvendo sua expertise ao longo de seus 116 anos de atuação, sendo uma das poucas empresas brasileiras com condições de atuar dentro desta conformidade ambiental, pontuada por rígidos parâmetros”.
Além do LEED, outra importante certificação verde é o Selo AQUA, concedido pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini. A Thá foi responsável pela construção da loja da Leroy Merlin, em Niterói, o único empreendimento no Brasil a receber a certificação AQUA completa. Para obter o Processo AQUA, é preciso que o empreendedor atenda a 14 critérios de desempenho em três fases distintas do empreendimento: idealização do projeto, elaboração e realização. As soluções para a contemplação dos 14 quesitos não são fixas, e vão desde a escolha de matéria-prima até a implantação de um sistema de reaproveitamento de energia solar, por exemplo.
Financiamento de Projetos Sustentáveis
A sustentabilidade faz parte do plano de negócio da Caixa Econômica Federal – a missão, visão e valores da empresa são pautadas em valores sustentáveis. O engenheiro da gerência de Desenvolvimento Urbano da Caixa, Walmick Grassi, apresentou, na Feira de Gestão, as ações da organização ligadas à habitação sustentável que, segundo ele, envolvem a redução do desmatamento, eficiência energética, fomento, energias renováveis e durabilidade do projeto.
Um exemplo é a aplicação de R$ 4 milhões no Fundo Socioambiental (FSA) Caixa para financiar projetos de gestão de resíduos sólidos de construção e demolição, realizados por consórcios públicos e prefeituras municipais. O objetivo da iniciativa é contribuir com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
Outra ação da empresa foi a criação do Selo Casa Azul Caixa, visando incentivar o uso racional de recursos naturais na construção e promover a conscientização de empreendedores e moradores sobre as vantagens das construções sustentáveis. O selo possui seis categorias: Qualidade Urbana, Projeto e Conforto, Eficiência Energética, Conservação de Recursos Materiais, Gestão da Água e Práticas Sociais. As categorias são subdivididas em 53 critérios de avaliação. O selo se aplica a todos os tipos de projetos de empreendimentos habitacionais, apresentados à Caixa para financiamento, ou nos programas de repasse.
A iniciativa soma-se a outras importantes medidas da Caixa, indutoras da produção habitacional com sustentabilidade ambiental, tais como: o uso de madeira com origem legal na construção; o incentivo financeiro para sistemas de aquecimento solar de água nas habitações incluídas no Programa Minha Casa, Minha Vida, destinadas às famílias de mais baixa renda, e a necessária medição individualizada de água e gás nos prédios.
Lixo Zero, Arquitetura Sustentável, Energia Renovável
Para encerrar o painel de habitação, os fundadores da ONG Verdever apresentaram o projeto Curadores da Terra – uma proposta de construção sustentável com o reaproveitamento total de todos os resíduos plásticos, orgânicos e minerais. O projeto foi vencedor do concurso internacional Ashoka / Fundação Rockfeller – Sustainable Urban Housing, em abril deste ano.
Trata-se de um inédito sistema construtivo, patenteado pela Curadores da Terra - ONG Verdever, com custo mais barato do que qualquer outro conhecido e praticado pelo mercado.
Marcia Macul e Sergio Prado apresentaram no evento os materiais utilizados nas construções propostas e destacaram o uso da terra crua apiloada em fôrmas estanques (taipa de pilão), fabricação local de tijolos de terra crua (secados à sombra) e o reaproveitamento das embalagens pet e de todos os tipos de resíduos pós-consumo em novos elementos construtivos.
Segundo Prado, 44% da população mundial não tem acesso à moradia e, em vez de diminuir, este número está aumentando a cada dia. Para ele, a maior crise europeia é habitacional. “E o Brasil não foge desta crise, pois é o maior exportador de favelas”, completa. O arquiteto e ambientalista afirma que toda a população mundial poderia ter moradia dentro de um ano, se 30% do lixo gerado fosse reaproveitado na habitação.

Novo índice de preços de imóveis causa polêmica

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já estuda a metodologia a ser aplicada para o novo índice de preços de imóveis no Brasil, que será criado de acordo com o Decreto 7.565 do governo federal, publicado na última semana no Diário Oficial da União. Em nota à imprensa, o IBGE informou que está desenvolvendo estudos com o objetivo de acompanhar a evolução dos preços no setor imobiliário nacional. "A metodologia para o cálculo, bem como todos os procedimentos que envolvem um índice referente ao setor, está sendo discutida e terá como base as recomendações de países ou instituições que já produzem esse tipo de indicador". Ainda não há previsão de quando o novo índice será divulgado, informou a assessoria de imprensa do instituto.
Para o diretor executivo do Sindicato da Indústria da Construção Civil no estado (Sinduscon/RJ), Antonio Carlos Mendes Gomes, o indicador vai ser bom para o mercado. "É um indicador confiável pela origem [o IBGE]. É o nosso grande instituto de pesquisa. É um instrumento adequado para que a sociedade tenha uma visão melhor, se posicione e interfira nesse processo, aproveitando as oportunidades, os momentos adequados. Enfim, acho que (o índice) é bom para todo mundo. É muito bem-vindo".
A mesma opinião tem o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do estado (Creci/RJ), Casimiro Vale. "Era uma reivindicação do Creci. É bom para ter um parâmetro de valor do mercado, principalmente com relação aos financiamentos", disse à Agência Brasil. Vale considerou que o novo indicador será positivo também para os consumidores. "Entendo que é bom. É uma coisa mais justa".
O vice-presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio (Ademi/RJ), Rubem Vasconcelos, discorda dessas opiniões. Para ele, o mercado é livre e deve continuar como tal. Vasconcelos teme que o índice venha a se transformar em elemento de controle dos preços no setor. "Não existe controle de preço. A gente pesquisa preço. A lei da oferta e da procura é que comanda os mercados. Não é ranqueamento, nem tabelamento de preço".
Segundo o vice-presidente da Ademi, o que deveria ser feito é uma publicação mensal das pesquisas de preços praticados e não uma tabela de preços do mercado. "Isso é falso. Isso é mentiroso, porque o mercado vive de uma lei de oferta e de procura e pode ir ao céu, como pode ir ao inferno".
Vasconcelos tem dúvida em relação ao procedimento que será usado pelo IBGE para acompanhar os preços dos imóveis. "Ele vai jogar os preços dos imóveis para cima, quando deveria proteger. Eu discordo dessa política de controle e de acompanhamento do governo. Não é função do governo acompanhar isso. Ele tem que deixar o mercado livre", acrescentou. (Correio do Estado)

Nova mudança no Minha Casa, Minha Vida 2

De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), nos próximos dias o governo federal republicará a Portaria 325/2011, que diz respeito à segunda fase do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Entre as alterações, 29 municípios, entendidos como ‘capitais regionais’, terão os limites de valores das habitações equiparados às capitais e regiões metropolitanas.
A informação origina de encontro entre representantes da CBIC e dos Ministérios: do Planejamento, Orçamento e Gestão; das Cidades; e da Fazenda, assim como do Tesouro Nacional e da Caixa Econômica Federal, agendado com a finalidade específica de discutir a segunda fase do programa.
Ainda, a CBIC dá conta que a republicação da Portaria 325/2011 ocorrerá para deixar claro que as contrapartidas de estados e municípios para o programa poderão ser utilizadas para qualquer fim, inclusive compra de terreno, melhoria das especificações, aumento de área e infraestrutura, e não serão abatidas nos limites estabelecidos para cada município.
De acordo com o presidente da CBIC, Paulo Simão, terá caráter permanente um grupo técnico de trabalho constituído com o objetivo de acompanhar a evolução do programa. (Terra Imóveis)

Guarulhos: lidera lançamentos em São Paulo

O PRIMEIRO APARTAMENTO A GENTE NUNCA ESQUECE

sábado, 24 de setembro de 2011

'Hoje, os bairros crescem ao redor dos shoppings'

Primeiro engenheiro em uma família de médicos, o empresário Adolpho Lindenberg - da construtora fundada há 50 anos que leva o mesmo nome, e hoje faz parte do grupo LDI - ajudou a definir o conceito de edifícios de luxo na capital paulista, nos anos 60 e 70. Apartamentos espaçosos, a maior parte construída na região nobre dos Jardins, surgiram para substituir casas luxuosas que não ofereciam mais a segurança que as famílias procuravam. "Nossa ideia era fazer 15 residências, e não um prédio de apartamentos", diz Lindenberg, que foi homenageado ontem na edição 2011 do Prêmio Master Imobiliário.
Embora a empresa tenha ficado conhecida por seus condomínios de alto padrão, atualmente a LDI - que tem o fundador como presidente do Conselho - se adapta às necessidades de mercado e à ascensão da classe C pensando em projetos que agreguem serviços, comodidade de transporte e segurança aos moradores.
Entre as tendências apontadas pelo empresário de 87 anos estão projetos que agreguem residências, escritórios e comércio. "A tendência é agregar, evitar deslocamentos. Temos um empreendimento nesse estilo em Ribeirão Preto, que será entregue em maio de 2013", explica o empresário. "O shopping sempre traz possibilidades de desenvolvimento imobiliário em seu entorno", ressalta.
Confira os principais trechos da entrevista de Lindenberg ao Estado:
O sr. ficou conhecido por definir o que é luxo no mercado imobiliário de São Paulo. Como surgiu a ideia dos edifícios de alto padrão?
Foi uma necessidade. Comecei nos anos 1950, construindo casas, com um escritório individual de engenharia. Nos anos 60, a sociedade passou por um momento de evolução: as famílias já vinham diminuindo, com um menor número de filhos do que antes, e as pessoas começaram a migrar das residências para os prédios de apartamentos já em razão da segurança. Como tinham suas casas particulares, trouxemos o conceito de apartamentos personalizados, para facilitar essa transição. A ideia era evitar uma padronização excessiva.
O mercado hoje é completamente diferente? Está focado na classe 'emergente'?
Acho ótima a elevação do padrão de vida da população. É um ganho em cascata, que afeta todas as classes sociais. Quem antes morava na favela, agora pode ter um apartamento. Quem morava em um apartamento de dois quartos pode ir para um de três - e assim por diante. Até cerca de dez anos atrás, nosso mercado estava mais focado nos apartamentos de luxo. Hoje, já trabalhamos em projetos que atendem às classes B e C, fazemos muita obra no interior. ABC Paulista, Osasco, Piracicaba, Campinas e Ribeirão Preto são mercados que cresceram muito. No interior, há espaço hoje para a construção de apartamento de bom nível, em razão da renda do agronegócio.
A Lindenberg tem investido muito em escritórios. É um mercado interessante, por conta da alta do valor do metro quadrado?
Se continuar o crescimento do País, as empresas que virão para cá precisarão de espaço para seu progresso, é uma necessidade. Essa evolução não se dá só no mercado de escritórios. Também apostamos nos shoppings de médio porte, com cerca de 50 a 100 lojas. Já fizemos um, no Largo 13, em Santo Amaro (região Sul de São Paulo), e temos outros planejados. Com esse tamanho, é possível ter mais de um empreendimento em um só município de médio porte. O shopping center sempre traz possibilidades de desenvolvimento imobiliário em seu entorno. Agora mesmo estamos desenvolvendo um condomínio ao redor de um shopping, em São Caetano.
Há construtoras com uma atuação mais nacional. No seu caso, a ideia é investir no Estado de São Paulo?
Já construímos o Hotel Tropical, em Manaus, o Hotel Santarém, no Pará. Fizemos outras obras na Bahia e em Minas Gerais. Mas realmente o forte da nossa atividade é o Estado de São Paulo.
A comunicação da Lindenberg ainda tem um caráter personalizado, com códigos do mercado de luxo. Dá para manter essa personalização hoje?
Sim. Acho que trazemos ainda essa herança de manter um relacionamento pessoal com os nossos compradores, ainda que hoje façamos prédios de 200, 300 apartamentos, e não mais de 15 unidades. Queremos dar um tom personalizado à venda e ao pós-venda. Por isso, nossa revista traz o valor de venda atualizado dos apartamentos, para que o dono esteja sempre informado da valorização.
Em termos de tendências, além dos shoppings e escritórios, o que mais está surgindo no Brasil?
Os condomínios de casas vão continuar a ser tendência, porque resolvem a preocupação dos moradores, que é a segurança. E isso é uma solução que atinge todas as classes, desde o mais rico até a classe D. Os condomínios passam hoje por uma diversificação muito acentuada. E um projeto pode levar ao outro. O mercado imobiliário é muito dinâmico e sensível às transformações econômicas e sociais. Os bairros integrados são uma tendência nos Estados Unidos. As pessoas querem evitar os deslocamentos entre as áreas comerciais e residenciais, economizando tempo no trânsito e beneficiando o meio ambiente. Em Ribeirão Preto, temos um empreendimento que une residências, escritórios e, embaixo, um pequeno shopping center, tudo integrado no mesmo projeto. (O empreendimento está em construção, e a previsão da LDI é que a entrega seja feita em março de 2013).
Com os terrenos cada vez mais escassos nos Jardins e em outros bairros em que a Lindenberg se notabilizou, para onde deverá crescer o mercado imobiliário de São Paulo?
A construção de edifícios em bairros mais tradicionais, como Jardins, Pinheiros, Itaim e Vila Mariana, é coisa mais do passado. Os terrenos atualmente são difíceis de achar, além de muito caros. A tendência é que a expansão ocorra em bairros mais periféricos, nas cidades-satélites e também no interior. Um dos fatores que definirão quais serão os principais eixos de crescimento é o transporte. A possibilidade de locomoção é o que domina as escolhas do consumidor.
Hoje, ainda há espaço para apartamentos de luxo? Está mais fácil ou difícil fazer apartamentos realmente personalizados?
Acho que está mais fácil, por conta da abertura da economia e de uma variedade de produtos que podem ser importados para a criação de um apartamento realmente diferenciado. Há mais elementos que ajudam a fugir dessa uniformização. (O Estado de São Paulo)