terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cresce procura por imóveis na planta

 
Mesmo com a economia mundial instável, o Brasil continua confiante e seguro com o comportamento da economia do país. No início de agosto, a Fenabran - Federação Brasileira de Bancos divulgou sua Pesquisa de Projeções Macroeconômicas e Expectativa de Mercado para este ano e para 2012 mantendo as previsões de 3,9% de crescimento aferidas na última pesquisa da Federação realizada em junho deste ano. Com uma população confiante em sua economia, cresceu o número de requisições de financiamentos em bancos, normalmente direcionados para a compra de imóveis.
De acordo com pesquisas do setor imobiliário, nunca se comprou tantos imóveis como tem acontecido nos últimos cinco anos no país. Além disso, a valorização de propriedades tem acontecido de forma expressiva nos últimos três anos. Fruto deste cenário positivo, cada vez mais pessoas enxergam vantagens em comprar imóveis na planta em detrimento do aluguel ou de imóveis já concluídos. A valorização de um apartamento na planta, por exemplo, chega a 50% do preço inicial de venda, muitas vezes antes mesmo da entrega da chave do imóvel pronto.
Em João Pessoa, imobiliárias têm investido neste nicho de mercado ofertando cada vez mais opções de lançamentos para atrair consumidores. De acordo com Paulino Teixeira de Carvalho Filho, sócio-cotista da Teixeira de Carvalho Imóveis, estar atento às últimas tendências de valorização de regiões e de mercado, além de conhecer projetos de construtoras ainda em pré-lançamento são essenciais para os clientes.
Para os investidores as vantagens são ainda maiores já que a valorização do imóvel em muitos casos chega em torno de 50% do valor inicial de compra, quando ainda na planta. Existem casos em que a valorização ultrapassa esse patamar, se tornando uma ótima opção de investimento em longo prazo, afirma Paulino.
Mais economia e opções para comprador
A médica Alessandra Patrício adquiriu seu primeiro imóvel na planta quando ainda era estudante. De acordo com a proprietária, que fechou recentemente mais uma aquisição nessas condições, aplicar suas economias na compra do seu primeiro apartamento foi a melhor decisão já que iria morar de aluguel. Juntei minhas economias para dar entrada e quitei o apartamento em dois anos. Com a chegada do meu filho, a família aumentou e por isso comprei outro imóvel maior, também na planta.
Escolher a localização do andar do apartamento, disposição de quartos e banheiros são possíveis quando o imóvel ainda está em construção. Para Alessandra, estas vantagens, além da econômica, são os principais atrativos em adquirir um imóvel na planta. Comprar um imóvel no seu pré-lançamento me possibilitou vantagens como dar uma entrada menor, escolher o andar e até mudar os pontos elétricos e hidráulicos. Também fiz modificações no piso e no revestimento que valorizaram o apartamento depois de pronto. Por isso só compro imóvel quando ainda está na planta.
Cuidados ao adquirir um imóvel na planta. Apesar das grandes vantagens econômicas, comprar um imóvel na planta também exige alguns cuidados básicos. Segundo Paulino Teixeira de Carvalho, da Teixeira de Carvalho Imóveis, um aspecto relevante, quando da compra de apartamentos, no que se refere às áreas comuns, é a quantidade, tamanho, localização e acesso às vagas de garagem. Preferencialmente devem estar demarcadas no memorial de incorporação e determinadas para cada unidade residencial.
Com relação às especificações do imóvel, elas devem ser claras e precisas, detalhando os materiais, equipamentos e tecnologias a serem empregados. O uso de expressões como ou similar e ou equivalente nas especificações não confere ao comprador absoluta segurança do que está sendo adquirido. Também é importante que o comprador examine outras obras da mesma construtora, já prontas, para verificar os cuidados com a execução do acabamento. Mesmo tendo todo o cuidado na análise documental, uma compra na planta é um negócio fundamentado na confiança, sendo, pois, muito importante conhecer bem o incorporador e o construtor da obra, ensina Paulino.
Outro aspecto importante, a ser observado, é a regularidade do empreendimento. O memorial de incorporação deve estar registrado e a obra deve ter um alvará de construção, expedid pela prefeitura do município. As plantas devem também estar aprovadas por todos os órgãos competentes e pelo CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura).
Feiras facilitam negócios. Facilitando a compra de imóveis para os compradores, as feiras do ramo estão cada vez mais abrangentes e o cliente tem o conforto de adquirir um imóvel sem sair do local. A 4ª SIM Paraíba Salão de Imóveis da Paraíba se consolidou no mercado paraibano e pretende reunir no Espaço Cultural, entre os dias primeiro a quatro de setembro, as melhores empresas do mercado para atender os interessados.
O consumidor terá à sua disposição vários stands com imobiliárias, construtoras, bancos e até cartórios para saírem com seu imóvel comprado. Serão vários lançamentos, em diversos bairros que atenderá a todos os interesses , afirma Irenaldo Quintans, organizador da SIM Paraíba e presidente do SINDUSCON - Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa.
Um dos focos da Feira serão os lançamentos de imóveis para os interessados neste nicho de mercado. A Teixeira de Carvalho Imóveis estará com as construtoras parceiras como a Planc, Albatroz, PCL, Ecomax, Meta, Encomarq, Dimensional, Tenda, ABC e Oceania e irá oferecer as melhores ofertas do mercado para os visitantes dos stands.
Será uma oportunidade única para a aquisição de imóveis de todos os tipos. Promoções e condições de pagamentos especiais serão disponibilizadas durante a SIN Paraíba, anuncia Paulino. (Correio da Paraíba)

Registro do 1º imóvel dá direito a desconto

30/08/2011
Por falta de informação, alguns compradores de imóveis deixam de se beneficiar de um desconto a que têm direito ao registrar a transação. O artigo 290 da Lei Federal 6.015/73 (Lei dos Registros Públicos) prevê redução pela metade dos emolumentos cobrados pelos cartórios para os casos de aquisição da primeira moradia, desde que financiada pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH).
Em média, três proprietários procuram por dia a Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais (AMM-MG) acreditando terem esse direito. Eles alegam que não o teriam usado, na época da compra, porque faltou esclarecimento dos intermediários ou responsáveis pela venda.
A AMM-MG recomenda que os valores sejam pagos diretamente aos órgãos arrecadadores e que, nos casos em que comprovadamente o recolhimento foi feito em valor superior ao devido, o direito seja buscado na Justiça. "Muitas vezes, a própria construtora emite a cobrança de um valor para pagamento de impostos e taxas de cartório sem informar a possibilidade de desconto ao cliente", explica o diretor-presidente da entidade, Sílvio Saldanha.
O Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) informou, por meio da assessoria de imprensa, que a intermediação das taxas não é prática do setor. Segundo os construtores, consta nos contratos que a responsabilidade desses débitos é do cliente e que, por isso, não são obrigados a comunicar o direito ao desconto.
Ainda por desconhecimento, alguns compradores pleiteiam o desconto sem razão. A Associação dos Serventuários da Justiça de Minas Gerais (Serjus), que representa os notários e registradores do Estado, esclareceu que apenas os contratos feitos sob os dispositivos do art. 290 da Lei 6.015/73, em combinação com a Lei 4.380/64, que instituiu o sistema financeiro para aquisição da casa própria, podem se valer do benefício.
De acordo com a assessora jurídica da Serjus, Telma Lúcia Sarsur, não terão o abatimento as compras de imóveis com contratos regidos simplesmente pela Lei 9.514/97, que instituiu a alienação fiduciária de imóvel. É necessário que exista um financiamento do SFH e que seja o primeiro imóvel do comprador. "Este engano gera muita confusão e expectativas que não podem ser atendidas. Por exemplo, no caso de aquisições com recursos próprios, incluindo saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), sem financiamento, não há direito de desconto. O Judiciário já entendeu que se a pessoa não precisa financiar, então também pode pagar integralmente os emolumentos", explica.
A Corregedoria-Geral de Justiça de Minas Gerais (CGJ), órgão que tem entre suas competências a fiscalização dos cartórios, informou por meio da assessoria de comunicação, que desde 2008 o número de reclamações pela não concessão do desconto é pouco expressivo. Mesmo assim, os processos administrativos que analisaram as supostas irregularidades concluíram que o serviço cartorial agiu na legalidade. Entretanto, a CGJ salienta que a restituição dos valores cobrados deve ser em dobro, nos casos em que as denúncias forem confirmadas. Na Comarca de Belo Horizonte, a população deve procurar diretamente o órgão e nas demais comarcas, o juiz-diretor do Foro. (Diário do Comércio)

Garagem pode ser problema na hora de comprar imóvel

Consumidor deve avaliar as vagas de modo prévio, a fim de evitar possíveis irregularidades arquitetônicas
DIÁRIO DO NORDESTE - 25/08/2011
Na hora de comprar ou alugar um imóvel, a garagem pode se transformar em um problema. Existe a possibilidade de elas serem pequenas ou obstruírem passagens ou acessos nos condomínios, impossibilitando o uso pelo morador. Além de casos de falhas no projeto, outros percalços podem ocorrer com vizinhos que ocupam a vaga. Estas questões devem ser resolvidas com a construtora, se o imóvel tiver sido comprado na planta, ou com a imobiliária, caso a propriedade seja alugada.
Segundo o presidente da Aadic (Associação das Administradoras de Imóveis), Heron Ibiapina, este tipo de problema é raro no mercado imobiliário de Fortaleza e pode ser ainda mais evitado. "O comprador, ao visitar o imóvel, deve observar a vaga da garagem no condomínio. Se o problema já existir, cada caso deve ser avaliado com a construtora ou imobiliária", orienta.
Propaganda enganosa
O presidente do Sinduscon-Ce, Roberto Sérgio Ferreira diz que a venda de imóvel que anuncia vagas na garagem, mas não cumpre, significa propaganda enganosa. "A orientação para o consumidor é reclamar e cobrar da construtora. Se não resolver, procurar o Decon", afirma. Ele diz ainda que o tamanho de uma vaga padrão é de cerca de 2,5 metros por 5,5 m.
O presidente do Ibedec (Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo), José Geraldo Tardin, destaca que "entre tantos abusos cometidos pelas construtoras, o desrespeito às normas técnicas da ABNT e aos esquadros definidos pelos Códigos de Edificações de cada cidade tem sido uma fonte cada vez maior de dores de cabeça para os consumidores".
Tardin ainda constatou que "há normas técnicas que tratam do fluxo de veículos na garagem, estabelecendo espaço para manobras e quantidades de portões para atender de forma satisfatória a quantidade de veículos prevista para cada prédio, que muitas vezes é desrespeitada pelas construtoras, na ânsia de lucrar mais com a venda de garagens para várias pessoas".
Reclamações
O Ibedec também já registrou reclamações de consumidores que têm prometida pelo corretor a existência de uma vaga coberta de garagem e quando recebem o imóvel esse espaço fica ao ar livre, sem qualquer proteção.
Apesar de não muito recorrente em Fortaleza, o problema ocorreu com o consumidor Walter da Silva, que comprou um imóvel em Brasília com três vagas de garagem e, quando tomou posse, constatou que as vagas de garagem eram muito pequenas, não sendo possível o estacionamento de veículos e ainda obstruindo o acesso ao rol dos elevadores.
Reclamou com a construtora, sem sucesso, e então encomendou um laudo de engenharia, onde ficou comprovado que as vagas estavam com tamanhos menores que as normas do Código de Edificação de Brasília que determina um tamanho mínimo de 12 metros quadrados e uma largura de 2,50 metros.
O consumidor recorreu ao Judiciário e conseguiu uma ordem judicial que impede que a construtora venda outras três vagas de garagem remanescentes no prédio até a análise final do mérito da ação.

Quando o consórcio é um ótimo negócio

Participante precisa usar as regras do jogo a seu favor para que o consórcio possa se tornar a forma mais interessante de comprar um carro ou uma casa
EXAME - 22/08/2011 – 07:17

São Paulo – Especialistas em finanças pessoais costumam recomendar os consórcios para quem não tem pressa em adquirir um bem, não consegue fazer uma poupança não-forçada por falta de disciplina financeira ou quer fugir dos juros altos da maioria das linhas de crédito bancário. Faz todo o sentido. O que quase ninguém alerta, no entanto, é que o participante precisa ser proativo e usar as regras do jogo a seu favor para realmente se dar bem um consórcio.
Entender em detalhes como funcionam as regras ajuda muito. O mecanismo em si é simples. É necessário contratar um banco ou uma instituição administradora que reunirá em um mesmo grupo interessados em comprar principalmente imóveis ou veículos em condições semelhantes. Todos os participantes pagam parcelas mensais. Com o dinheiro de cada uma delas, um ou mais membros do grupo poderão ser contemplados a cada 30 dias com uma carta de crédito que permitirá a compra do bem à vista.
Os felizardos são escolhidos por meio de sorteios, mas a maioria dos planos também permite que, se houver dinheiro suficiente, os participantes que ofereçam lances antecipando o maior número de prestações também sejam contemplados. O número de participantes do grupo já contemplados crescerá a cada mês, até que, ao final, todos tenham recebido sua carta de crédito.
Os consórcios são particularmente interessantes em momentos de alta dos juros porque os participantes estão isentos desses encargos. Como é o dinheiro de todos os participantes que financia a compra do bem à vista por alguns felizardos a cada mês, não há juros porque não há concessão de crédito. Por outro lado, os consorciados terão de pagar uma taxa de administração cobrada pela administradora e contribuir com o fundo de reserva constituído para cobrir perdas com participantes que já tenham sido contemplados e eventualmente deixem de pagar as parcelas.
Como essas duas taxas somadas são bem inferiores aos juros bancários, o consórcio acaba sendo viável financeiramente. “A forma mais barata de comprar um veículo ou um imóvel é à vista”, diz Mauro Calil, especialista em finanças pessoais. “O segundo jeito mais barato é o consórcio, que também é menos arriscado que o crédito imobiliário, embora muitas vezes seja necessário aguardar alguns anos até que a compra do bem seja concretizada.”
É nesse ponto que começa a ser importante usar as regras do jogo a seu favor. O participante que fica por último no sorteio certamente faz um péssimo negócio ao aderir a um consórcio. O azarado que nunca é sorteado terá de esperar muitos anos a mais do que estimava para comprar o bem desejado. Se tivesse investido as parcelas mensais em um fundo DI, uma caderneta de poupança ou outra aplicação conservadora qualquer, teria obtido juros que ajudariam a comprar o bem mais rápido ao invés de desembolsar um dinheiro extra para arcar com as taxas da administradora.
Esse é uma das explicações para que os consórcios só existam no Brasil. Ao que parece, em outros países não há muita gente disposta a arcar com todo esse ônus em caso de azar nos sorteios.
Os grandes vencedores de um consórcio são, portanto, aqueles que são contemplados primeiro. Aqui, vale lembrar que não é preciso contar apenas com a própria sorte. Qualquer consorciado pode apresentar, todos os meses, um lance para conseguir a carta de crédito. É impossível prever qual será o valor que terá de ser desembolsado para que o lance seja vencedor, mas existem algumas pistas.
Segundo Roberto Morganti, gerente de consórcios do Santander, nos primeiros meses após a constituição de um grupo, em geral é necessário desembolsar mais de 50% do valor da carta de crédito para ser contemplado. A partir do segundo ano, esse percentual costuma cair para 30%.
Neste momento, é preciso estar atento a outra dica importante. Algumas administradoras de consórcios permitem que outras pessoas entrem no grupo um ou dois anos após o início. Para alguém que tem pressa e só economizou 30% do valor do imóvel ou do veículo para oferecer como lance, esse pode ser um detalhe que faz toda a diferença.
A segunda regra relevante explica por que os consórcios de veículos são bem mais interessantes que os de imóveis. Trata-se do fator de correção dos contratos. Para que as pessoas que serão sorteadas próximo ao prazo de encerramento do grupo tenham o mesmo poder de compra das primeiras, as parcelas – e também o valor da carta de crédito – são corrigidas a cada 12 meses por um determinado indicador.
No Santander, é usada uma cesta de preços de veículos para corrigir os consórcios de automóveis. Como historicamente os valores de venda dos carros e motos não sobe muito ao longo dos anos (e muitas vezes até cai), optar por um consórcio e dar um lance para ser um dos primeiros a ser contemplados torna-se extremamente vantajoso.
Já no caso dos consórcios de imóveis, a coisa muda de figura. O fator de correção dos contratos é o INCC, um índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas que é usado como termômetro dos custos da construção civil no Brasil. Em 2010, o INCC acumulou alta de 7,6% e, nos sete primeiros meses deste ano, já atinge 6,1%. Isso significa que as prestações de consórcios de imóveis ficaram sensivelmente mais salgadas nesse período. “Comprar imóveis por meio de consórcios é mais interessante quando a inflação no setor de construção civil é menor”, diz Edson Franco, superintendente de Investimentos e Consórcios do Santander.
Quem acha que o índice ficará mais baixo nos próximos anos está redondamente enganado. Segundo Marcos Santoro, vice-presidente da Racional Engenharia, com a Copa, as Olimpíadas, o pré-sal, o boom imobiliário e todos os gargalos no setor de construção brasileiro, os preços tendem a ficar bastante pressionados nos próximos anos.
Mesmo que a inflação seja mais alta que o esperado, o consorciado proativo ainda terá a chance de ao menos dirimir os prejuízos. A regra importante é que a correção pelo INCC ocorre a cada 12 meses. Então, quando o INCC tiver sido alto, o consorciado que acumulou algum dinheiro deve antecipar o máximo possível do pagamento na data da 12ª parcela a cada ano para evitar que o saldo devedor cresça muito no mês seguinte.
É importante lembrar que o INCC também vai corrigir o valor da carta de crédito de quem ainda não foi contemplado. É por isso que muitos consorciados pedem para ser excluídos de sorteios na data da 12ª parcela e voltam a participar na 13ª. Afinal, em um consórcio para cartas de crédito de 500.000 reais, esse valor subirá para 550.000 reais em um ano em que o INCC chega a 10%, por exemplo.
Uma forma interessante de reduzir o saldo devedor dos consórcios – e também baixar o impacto da correção pelo INCC – é utilizar o FGTS para abater as prestações futuras. Há quase dois anos, o governo decidiu permitiu ao trabalhador resgatar tudo o que tem no fundo para dar um lance em um consórcio de imóveis. As restrições para o uso do FGTS são as mesmas válidas para a compra de imóveis à vista ou por meio de um empréstimos bancários.
O terceiro cuidado a ser tomado pelo consorciado é com as taxas incluídas. No caso de um consórcio para a aquisição de um carro em 60 meses, por exemplo, o Santander receberá 12% de taxa de administração – os pagamentos são divididos durante os cinco anos, proporcionalmente ao valor de cada parcela. Para um consórcio de imóvel com prazo de duração de 12 anos, o cliente do Santander terá de pagar um total de 18% de taxa de administração mais 3,5% como contribuição para o fundo de reserva.
É importante pesquisar as taxas mais baixas do mercado porque, como as aquisições podem envolver um grande desembolso de dinheiro, um pequeno percentual desses recursos pode representar bastante. Imagine, por exemplo, um consócio para a compra de um imóvel por 500.000 reais. Se o cliente conseguir baixar em 1 ponto percentual a taxa de administração, estará economizando 5.000 reais ao longo de todo o período de duração do consórcio.
Por último, é importantíssimo fazer as contas e verificar se as prestações do consórcio cabem no bolso. Se o consorciado ficar inadimplente antes de ser contemplado com a carta de crédito, não perderá o dinheiro nem terá seu nome inscrito em cadastros negativos como o Serasa - ao contrário do que acontece com quem não paga empréstimos bancários. Mas nem por isso estará livre de uma dor de cabeça. O dinheiro que já foi pago só será devolvido ao final do grupo – a não ser que o consorciado consiga vender para alguém as quotas que já foram pagas, transferindo a obrigação sobre o saldo devedor.
Já se ocorrer inadimplência após a contemplação e a compra do bem, o consorciado também não se dá bem. O carro ou imóvel fica alienado em nome do consórcio até que todas as prestações sejam pagas. A inadimplência, portanto, levará à retomada do bem pelo grupo, com prejuízo para quem não cumpriu suas obrigações.

domingo, 28 de agosto de 2011

Aluguel de apartamento eleva 60% em dois anos

Pesquisa do Crecisp aponta elevação média de 60,23% para os aluguéis em São Paulo, entre 2009 e 2011.

26/08/2011 por Imovelweb


Na capital, em dois anos aluguel aumentou 60,23%.


São Paulo, SP - O aluguel médio geral de apartamentos subiu 60,23% em São Paulo, entre o primeiro semestre de 2009 e o primeiro semestre de 2011. Esse tipo de imóvel era alugado por R$ 989,14 em 2009, e neste ano chegou a R$ 1.809,83. As casas tiveram alta menor, de 19,16%, com o aluguel médio evoluindo de R$ 611,41 em 2009, para R$ 728,53 em 2011.

O aluguel médio geral de cada semestre reflete a média dos valores de locação iniciais de todos os tipos de casas e apartamentos alugados pelas imobiliárias pesquisadas mensalmente pelo Conselho de Corretores de Imóveis no Estado de São Paulo (Crecisp) na capital paulista. Entre 2009 e 2011, o aluguel médio geral aumentou 60,23% na Capital ao passar de R$ 799,65 para R$1.281,31.

Na comparação do primeiro semestre deste ano com o primeiro de 2010, o aluguel médio geral de casas está 15,2% maior; o de apartamentos, 23,29%; e o aluguel médio geral, 22,16%.

Zona B tem maior volume de locações - Assim como aconteceu com as vendas de imóveis usados, também na locação residencial a consolidação das pesquisas Crecisp mostra uma situação diferente no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2010. O número de imóveis alugados aumentou em três das cinco zonas de valor que compõem a pesquisa, e caiu em duas delas. Em 2010, todas haviam registrado aumento do número de locações de casas e apartamentos.

Na Zona B, onde estão bairros como Alto da Lapa, Indianópolis, Jardim Marajoara, Paraíso, Pinheiros, entre outros, o número de contratos assinados no primeiro semestre de 2011 foi 24,2% maior que o do mesmo período do ano passado. Na Zona A, que tem os bairros de maior valor, o número de contratos cresceu 9,27%; e na Zona D, 0,35%. A queda foi igual a 25,42% na Zona C; e de 0,43% na Zona E.

Fiador segue na liderança das garantias - O fiador continua reinando quase absoluto, como forma de garantia preferencial nos novos contratos de locação residencial, mas vem tendo sua participação reduzida gradualmente: de 49,38% no primeiro semestre de 2009 baixou para 48,96% em 2010, e agora está em 45,75%.

O seguro de fiança permanece praticamente inalterado. Esta foi a forma de garantia adotada em 26,12% dos contratos do primeiro semestre de 2009, subiu para 27,06% em 2010, e recuou para 26,46% neste ano. Já o depósito de valor equivalente a três meses do aluguel chegou a 24,5% dos contratos em 2009, baixou para 23,89% em 2010, e no primeiro semestre deste ano subiu para 27,26%, considerando o total de novos contratos assinados nas imobiliárias pesquisadas pelo Crecisp.

Eles fizeram história no mercado imobiliário

  Três corretores de imóveis contam como enfrentaram os desafios e as dificuldades  da profissão, em tempos que a atividade era pouco reconhecida pela sociedade

A área de corretagem imobiliária passou por várias fases até se consolidar com a força que tem hoje. E se o setor chegou neste patamar, é porque desde o início da atividade, há corretores de imóveis que enfrentaram dificuldades, desde o relacionamento com o cliente até as restrições para divulgação de imóveis. Tudo isso para abrir o caminho para os profissionais que aos poucos foram reconhecendo a atividade como uma das mais promissoras. Relatamos três histórias de corretores que, mesmo diante das dificuldades, não desistiram da profissão e vêem a atividade com orgulho.

“Trabalhei em prol da fundação das entidades do setor no CE”

“Iniciei minha carreira em 1965, aos 26 anos. Na época eu trabalhava em uma empresa no qual viajava muito e chegava a passar 90 dias fora de casa. Quando precisei viajar por seis meses e na volta para casa meu filho mais velho não me reconheceu, vi que era a hora de buscar outra atividade. Nesse intervalo, vendi um imóvel para uma família conhecida e ganhei a comissão que era praticamente o salário que eu ganhava todo mês. Foi quando decidi me dedicar à atividade de corretor de imóveis. Na época, o trabalho do corretor de imóveis era visto por muitos como  picaretagem. Destacavam-se aqueles que tinham uma família de renome, pois esta era a forma de passar credibilidade e ter um acesso facilitado ao investidor.

Em Fortaleza (CE), não tinha conselho da categoria, apenas uma associação com pouca atuação, onde eu e mais um grupo de profissionais reabilitamos. Trabalhei em prol da fundação de todas as entidades de classe do setor no Ceará, desde delegacia do Creci, Secovi, Câmara Imobiliária.

Naquela época, este grupo que ficou conhecido como os “18 do Forte”, e para aprimorar a nossa atuação, buscávamos mecanismos para conhecer os trâmites, principalmente na área de documentação, uma vez que em Fortaleza não havia nenhum curso de qualificação na área imobiliária.

Como precisávamos ter um conhecimento desta demanda, os proprietários dos cartórios nos davam aulas sobre registro de imóveis.

O anúncio para nós era tudo e uma das poucas maneiras de divulgar os imóveis. Transferimos nossos anúncios para o Jornal O Povo, no qual os corretores de imóveis do Ceará ainda hoje têm uma história ligada a este veículo de comunicação. Logo depois, o Diário do Nordeste também entrou com força nesse mercado.

Como não tínhamos internet, nem email, o vínculo com o cliente era fundamental. Mas a indicação tinha um grande peso. Assim desde a visita dos investidores até o fechamento do negócio era realizado com dificuldade. Só sobrevivia no mercado quem tivesse dignidade. Mas felizmente, nosso grupo realizou um trabalho ético e dignificou a profissão no Estado. Pode-se dizer que abrimos a estrada.

Vejo que a profissão teve duas etapas. Com a Lei nº 2.520 saímos da ignorância para as letras. Saímos da profissão que não tinha sido alfabetizada para uma profissão que exigia no mínimo o segundo grau completo. Começamos a ter um grupo de pessoas mais elitizadas e logicamente isso traz novas ideias. Se eu tivesse que começar na atividade, hoje sim que iniciaria a carreira de corretor de imóveis, a qual considero uma das mais promissoras do Brasil.”

Antônio Armando Cavalcante Soares, atua há 46 anos como corretor de imóveis. Atualmente é Diretor Tesoureiro do Sistema Cofeci-Creci.

“A principal dificuldade era conseguir um financiamento imobiliário”

“Quando iniciei, o mercado imobiliário estava tomando os primeiros passos como uma verdadeira profissão, na visão da própria sociedade e das construtoras. Fiz um curso rápido na própria imobiliária em que trabalhava e no primeiro plantão já vendi uma casa. Já havia o curso de Técnico em Transações Imobiliárias, pelo Senac, e decidi fazer posteriormente para me inteirar dos assuntos relativos à profissão, embora não fosse obrigatório.

Vejo que os cursos naquela época eram melhores. Tínhamos professores da faculdade de Direito, Engenharia, Arquitetura, com um conhecimento mais específico, embora não tivessem a visão comercial. Por isso que há uma leva de corretores antigos (que na época tiveram a oportunidade de estudar), que hoje possuem um conhecimento maior. Posteriormente, programas de aperfeiçoamento foram criados pelo conselho da categoria, com cursos voltados à avaliação imobiliária, Direito Imobiliário, contratos, entre outros.

Lembro que o relacionamento com o cliente era muito pessoal. Realizávamos plantões de venda em prédios e também em lojas para vender imóveis usados, cuja quantidade era maior que os lançamentos. Os clientes não tinham tanto conhecimento. A concorrência proporcionalmente era acirrada, considerando a disponibilidade no mercado, mas não como hoje.

A principal dificuldade era conseguir um financiamento imobiliário, pois era muito burocratizado e os clientes tinham medo. A Caixa Econômica era a instituição que fornecia os financiamentos e os próprios funcionários desconheciam este processo. O corretor de imóveis levava até 190 dias para obter a liberação. E sem dinheiro, ninguém compra nada. Muitas vezes perdiam-se negócios em função da demora e ficávamos de mãos atadas, dependentes das políticas que mudavam a hora que bem entendiam.

O perfil do corretor de imóveis melhorou muito. Hoje existem profissionais mais preparados e o próprio mercado está mais exigente. No Brasil, pelo menos 62% dos corretores de imóveis já fizeram algum curso superior. A própria atividade começou a ficar dinamizada através da tecnologia. Redes Imobiliárias estão sendo desenvolvidas e vejo que este é o caminho, pois boa parcela dos clientes já utilizam estes meios para buscar um imóvel. A concorrência funciona com maior eficiência. Os meios de comunicação são mais rápidos do que há anos atrás, onde anunciávamos em um pequeno espaço nos jornais de grande circulação, pois não tinha caderno de imóveis, apenas colunas.”

Flávio Koch, atual presidente do CRECI-RS, atua há 43 anos como corretor de imóveis.

“No início, víamos a internet com certa reserva”

“Entrei para a área de corretor de imóveis quase sem querer. Jamais havia planejado, até porque não tinha experiência na área de venda de imóveis. Eu era representante comercial e com a transferência da empresa para o Rio de Janeiro, fiquei desempregado. Até que fui convidado por um amigo para atuar na área de locação em uma imobiliária. No início fiquei receoso, pois não entendia do assunto. Mesmo assim, aceitei o desafio, em 1983.

Durante os primeiros seis meses de trabalho precisei estudar e pesquisar muito acerca de leis locatícias. Na época não havia cursos na região sobre a área imobiliária. Tanto que tive dificuldade em conseguir a inscrição para o CRECI em Santa Catarina, e fui obrigado a fazer um curso à distância oferecido em Porto Alegre. A cada dois meses eu ia ao Rio Grande do Sul prestar exames. Lembro que na turma em que iniciei havia aproximadamente 250 inscritos e terminamos o curso em apenas 15 pessoas, pois era muito difícil. As avaliações eram diferentes de hoje. Na prova final, apontaram um imóvel em uma rua próxima ao Conselho e tivemos que fazer a planta baixa com as devidas medidas. Passamos um domingo inteiro com a fita métrica no bolso, para ser avaliados no fim do dia.

Naquela ocasião a área de corretagem imobiliária estava muito desorganizada, com um número grande de profissionais sem preparo, sem inscrição, mas o trabalho era de forma aberta. Após um período trabalhando na área locatícia e depois em vendas, abri meu próprio negócio junto com outro sócio. O início das atividades como sócio-proprietário da Imobiliária Ouro Preto não foi fácil. Tínhamos uma classe desacreditada em função do mau comportamento de alguns corretores. Outro fator é que as grandes empresas se destacavam no Estado e as pequenas imobiliárias eram quase imperceptíveis. Até construir a imagem de uma empresa séria foi um caminho complicado. Após três anos de atuação, encerrei as atividades da Imobiliária Ouro Preto para abrir em sociedade com Dalírio Beber, a Skala Administradora de Bens, empresa até hoje está no mercado.

Só anunciava imóvel a imobiliária que tinha dinheiro. Anúncio em rádio não era viável, pois o alcance não era como dos jornais. Isso levou muitas empresas a se sujeitarem a pagar o preço.

Mas buscávamos outras alternativas, como distribuição de panfletos, propaganda boca-a-boca e através das placas. Também tínhamos dificuldade, pois nem todos os proprietários nos davam exclusividade.

Quando a internet começou a entrar no mercado imobiliário existiu um conflito grande com os jornais, que tentavam de todas as formas segurar boa parte da fatia deste setor. Participamos de diversas reuniões, jantares oferecidos pelos jornais para este objetivo. Nós víamos a internet com certa reserva, achávamos que era restrito às pessoas com alto poder aquisitivo, mas hoje é o principal fenômeno que impulsiona a divulgação dos imóveis no mercado.”

João Ubaldo Stüpp iniciou a carreira em 1983, e atualmente é proprietário da Skala Administradora de Bens, em Blumenau-SC.